Tenho uma finca e quero conservar a sua biodiversidade: assim funciona a custódia do território

Dez 26, 2025 | Sem categoria | 0 comments

Na Galiza e no Norte de Portugal, grande parte do património natural e cultural encontra-se em terrenos de propriedade privada ou pública. Cada vez mais pessoas e entidades proprietárias — particulares, comunidades, associações ou administrações públicas — querem conservar esses espaços e geri-los de forma sustentável.

A custódia do território é uma ferramenta chave para o fazer através de acordos voluntários, adaptados a cada finca e a cada realidade local.

🌱 O que é a custódia do território?
A custódia do território é uma estratégia de conservação baseada em acordos voluntários entre a pessoa ou entidade proprietária de um terreno e uma entidade de custódia (associação, fundação, cooperativa, ONG, etc.), com o objetivo de conservar, melhorar ou valorizar os recursos naturais, culturais e paisagísticos.

Estes acordos:

  • Não implicam a perda da propriedade
  • Não supõem uma expropriação nem uma figura de proteção rígida
  • Baseiam-se na colaboração, na confiança e no compromisso mútuo

A custódia do território permite compatibilizar conservação, usos produtivos e funções sociais do território.

🧑‍🌾 Quem pode ser proprietário ou gestor num acordo de custódia?
No contexto da Galiza e do Norte de Portugal, a custódia do território pode envolver diferentes tipos de proprietários ou gestores:

  • Pessoas particulares proprietárias de fincas rurais
  • Comunidades de montes ou baldios
  • Entidades privadas (fundações, cooperativas, empresas)
  • Administrações públicas (câmaras municipais, deputações, entidades locais)
  • Instituições com terrenos de valor natural ou cultural

A custódia do território é especialmente útil quando a propriedade quer melhorar a gestão ambiental mas não dispõe de meios técnicos suficientes ou procura apoio especializado.

🍃 O que se pode conservar através da custódia do território?
Cada finca e cada território são diferentes. Na Galiza e no Norte de Portugal, os acordos de custódia costumam centrar-se em:

  • Conservação de florestas autóctones e sistemas agroflorestais
  • Proteção de margens ribeirinhas, zonas húmidas e áreas costeiras
  • Melhoria de habitats para fauna e flora de interesse
  • Manutenção de práticas agrícolas e pecuárias tradicionais
  • Prevenção de incêndios florestais
  • Conservação do património cultural rural (moinhos, muros, caminhos, socalcos)

Os objetivos são sempre definidos de forma conjunta entre a propriedade e a entidade de custódia.

🛠️ Como funciona a custódia do território passo a passo?

1️⃣ Contacto com uma entidade de custódia do território
O primeiro passo é contactar uma entidade de custódia que atue no território onde se localiza a finca.

📌 É importante ter em conta que:

  • Cada entidade tem objetivos de conservação específicos
  • A sua atuação está limitada a um determinado âmbito geográfico
  • A sua capacidade depende dos seus recursos técnicos e humanos
  • A possibilidade de atuação pode estar condicionada à disponibilidade de financiamento

2️⃣ Análise da finca e do enquadramento do projeto
Se a finca se enquadrar nos objetivos da entidade, realiza-se:

  • Uma visita técnica
  • Um diagnóstico dos valores naturais e culturais
  • Uma avaliação das necessidades de gestão

Também se analisam as expectativas da propriedade, seja uma pessoa particular, uma entidade ou uma administração pública.

3️⃣ Definição de objetivos de conservação
Propriedade e entidade acordam o que se pretende alcançar, por exemplo:

  • Melhorar a biodiversidade
  • Restaurar habitats degradados
  • Compatibilizar conservação e uso produtivo
  • Valorizar o território para a comunidade

Os objetivos devem ser realistas e alcançáveis, tendo em conta os recursos disponíveis.

4️⃣ Assinatura do acordo de custódia
O acordo formaliza-se através de um documento voluntário que pode assumir diferentes formas (protocolo, contrato, acordo de colaboração).

Nele especifica-se:

  • Os compromissos de cada parte
  • As ações previstas
  • A duração do acordo
  • Os mecanismos de acompanhamento

Cada acordo é flexível e adaptado.

5️⃣ Acompanhamento, monitorização e financiamento
A entidade de custódia pode:

  • Prestar aconselhamento técnico
  • Acompanhar a gestão do terreno
  • Procurar apoios públicos ou financiamento para ações concretas
  • Realizar o acompanhamento dos resultados

No entanto, a execução das ações depende, em muitos casos, da existência de financiamento disponível.

💚 Que benefícios traz a custódia do território?
Para pessoas e entidades proprietárias, a custódia do território oferece:

✔ Apoio técnico especializado
✔ Melhoria da gestão ambiental do terreno
✔ Conservação do valor natural e paisagístico
✔ Acesso a redes de colaboração
✔ Contribuição ativa para a conservação do território
✔ Reforço do compromisso social e ambiental

No caso das administrações públicas, a custódia permite melhorar a gestão de terrenos públicos através da colaboração com entidades especializadas.

🌍 Custódia do território na Galiza e no Norte de Portugal
A custódia do território é uma ferramenta especialmente valiosa na Galiza e no Norte de Portugal, onde o mosaico de usos, a fragmentação da propriedade e a riqueza natural exigem soluções cooperativas e adaptadas ao território.

Cuidar da terra não é apenas uma responsabilidade pública: é uma tarefa partilhada entre quem possui, gere e habita o território.

👉 Tens uma finca ou geres um terreno e interessa-te a custódia do território?
Contacta uma entidade de custódia da tua zona e explora as possibilidades de colaboração.