A custódia do território consolidou-se na Galiza e no Norte de Portugal como uma ferramenta chave para conservar, restaurar e gerir de forma ativa os espaços naturais, margens ribeirinhas e ecossistemas fluviais partilhados por ambas as regiões.
O que é a custódia do território
Trata-se de acordos voluntários entre proprietários, comunidades locais, associações ambientais e administrações públicas para proteger e melhorar o valor ambiental, paisagístico e cultural de terrenos concretos. Na eurorregião Galiza-Norte de Portugal, a sua relevância é especial: os rios e os seus sistemas ribeirinhos não conhecem fronteiras, e a intervenção numa margem pode afetar diretamente a outra.
O mais recente na Galiza
Pontevedra lançou em 2025 o seu plano municipal de custódia do território no âmbito do projeto transfronteiriço GreenGap.
Foram identificadas nove áreas de atuação, das quais se priorizaram três projetos:
- Rios Lérez e Almofrei: eliminação de espécies invasoras, reforço da floresta ribeirinha e recuperação de percursos pedonais.
- Rio Gafos: recuperação ambiental da represa e dos antigos moinhos de Cabanas.
- Junqueira da Gandarela (Lourizán): consolidação ambiental do espaço natural.
Estas ações combinam restauração ecológica, recuperação do património histórico e participação cidadã, demonstrando como a custódia pode traduzir-se em resultados tangíveis.
Perspetiva portuguesa e transfronteiriça
Do lado português, a custódia do território também está a crescer, embora de forma mais fragmentada. A colaboração pode articular-se através de entidades que operam em áreas limítrofes, promovendo um modelo de gestão integrada que envolva:
- Proprietários e comunidades locais.
- ONG e associações ambientais.
- Administrações públicas de ambos os países.
A coordenação transfronteiriça permite maximizar recursos, partilhar boas práticas e proteger de forma mais eficiente os ecossistemas que fluem de ambos os lados da fronteira.
Desafios atuais
- Coordenação administrativa: ultrapassar diferenças legais e de gestão entre Espanha e Portugal.
- Continuidade dos projetos: assegurar que as iniciativas perdurem para além de subsídios temporários.
- Participação ativa: envolver de forma real proprietários e comunidades locais.
- Medição de resultados: quantificar a recuperação ambiental, a biodiversidade e os benefícios para a comunidade.
Porque é importante
A custódia do território não só protege a natureza, como também reforça a identidade local, liga a cidadania ao seu entorno e melhora a resiliência face aos efeitos das alterações climáticas. Para quem vive, trabalha ou visita a eurorregião, significa usufruir de rios mais limpos, florestas saudáveis e património restaurado.
Conclusão
Em 2025, a custódia do território na Galiza-Norte de Portugal encontra-se num momento de expansão e consolidação. Os planos municipais, os projetos transfronteiriços e o envolvimento da cidadania demonstram que é possível proteger o território de forma colaborativa, criando um modelo de gestão que vai além das fronteiras e gera benefícios ecológicos, culturais e sociais para a conservação entre a Galiza e o Norte de Portugal.
